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Por dentro do Museu do Freud em Londres: tudo sobre nossa visita ao último endereço do psicanalista

Quem escreveu

Natália Baffatto

Data

08 de June, 2021

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O Museu do Freud fica numa mansão no norte de Londres, abriga seu icônico divã e traz poderosas reflexões sobre como o pai da psicanálise ajudou a saúde mental da humanidade em épocas de pandemia

Era uma tarde de primavera quando cheguei aos quarteirões de Hampstead para visitar o último endereço de Freud em vida, uma mansão vitoriana que abriga hoje o museu que tem seu nome.

O pai da psicanálise mudou-se para o endereço londrino depois da perseguição nazista em Viena, na Áustria, em 1938. Apesar de ser judeu, não era praticante, mas o Partido Nacional Socialista não deu trégua e ele e a família deixaram seu endereço no Berggasse 19 na capital austríaca para viver momentos mais pacíficos em Londres. Na casa, há registros de quando ele e Anna Freud, a filha, fizeram conexão em Paris de trem.

Devido a complicações de um câncer de boca e problemas respiratórios, Sigmund Freud faleceu no ano seguinte. No entanto, nas paredes do número 20 da Maresfield Gardens, ele também montou seu escritório e dava atendimento mesmo com a saúde debilitada. Sua filha Anna, que desenvolveu uma carreira de sucesso na área da psicanálise infantil, preservou a memória do pai e, antes de morrer nos anos 80, expressou seu desejo da casa virar um museu para perpetuar o legado de Freud. 

A linda fachada do número 20 de Maresfield Gardens, em Hampstead, no norte de Londres

Por dentro da casa e o icônico divã

A visita ao museu faz você se sentir um convidado da família. Como fui próximo da data de reabertura dos museus em Londres, que aconteceu em 17 de maio, decidi escolher uma quarta-feira, o único dia de semana aberto, e acertei em cheio no dia para ir. Havia pouquíssimas pessoas e, de quebra, ainda tive a sala de atendimento dele só para mim. Sim, eu me senti sua paciente.

Isso significou que eu fiquei de frente para sua icônica poltrona, o famoso divã freudiano, sem nenhuma interrupção ou disputa por uma foto. No local, há também sua escrivaninha e a poltrona onde ele dormia depois que não conseguia mais subir as escadas para seu quarto. Foi ali também que ele faleceu depois de uma elevada dose de morfina combinada com seu médico.

O icônico divã do Freud pode ser visto no museu que leva seu nome em Londres

Senti o privilégio de onde meus pés pisavam e uma espécie de comunhão, pois o local de repente mais parecia um santuário. Seu espaço de trabalho é também repleto de livros de biologia, psicologia (mas é claro), arte e literatura, e seus autores favoritos incluíam Goethe, Schiller e Shakespeare. 

A escrivaninha de Freud, com seu típico óculos e o porco-espinho, uma obsessão

Freud e as pandemias

No piso térreo, você passa pela sala de jantar, os jardins onde ele repousava, seu escritório de atendimento, e no primeiro andar, está o quarto de Anna Freud, seu divã e objetos pessoais, como um guarda-roupas trazido de uma casa no interior de Viena. Há evidente desejo de lembrar as raízes austríacas na decoração de todos os aposentos.

Fachada da casa onde Freud viveu em Londres seus últimos dias. O círculo azul certifica os famosos que moraram nas residências da capital inglesa

Uma parte da visita que também achei completamente interessante, repaginada aos tempos atuais, foi o espaço dedicado a explorar os impactos das pandemias na sociedade e como a psicanálise teve um papel crucial em tempos de gripe espanhola em 1918 e COVID-19 em 2020. Apesar de distantes no tempo, o governo tomou medidas semelhantes em ambos períodos e a humanidade teve consequências trágicas na área da saúde mental.

Portanto, os outros quartos do andar de cima são agora dedicados a explorar como Freud reagiu com seus estudos na gripe espanhola e como a psicanálise moderna respondeu hoje a essa questão. Se você não sabe, sua amada filha Sophie Halberstadt-Freud morreu grávida devido às complicações da gripe espanhola, o que causou um impacto emocional e traumático em Freud.

O surgimento de sua obra clássica

Foi nessa época de luto que ele escreveu um de seus maiores clássicos, “Além do Princípio de Prazer“, tentando responder a questões fundamentais da psicanálise, trazendo à tona conceitos do impulso da vida e da morte e revolucionando a ciência da mente. Segundo informações do museu, escrever sobre o lado sombrio da vida e explorar a morte foi a forma que ele encontrou para lidar com a perda de sua filha, mas que nem ele se assegurava do que tinha chegado à conclusão, tamanha sua dor.

O museu do Freud em Londres traz também uma visita ao escritório de Anna, sua filha

Entre cartas endereçada a amigos e familiares e folhetos com interpretação de sonhos, há especial destaque sobre como a natureza humana, emergindo de uma tensão entre impulsos de vida e morte, mais uma vez demonstrou sua surpreendente capacidade para o bem e o mal. O museu ressalta também que os impactos da pandemia atual em nossa vida interior ainda estão para ser totalmente descobertos, mas que citações de Freud durante os tempos de guerra ainda ressoam como um eco misterioso, como a exemplo de quando disse: “É de se esperar que, uma vez que o luto termine, se descubra que nossa elevada opinião sobre as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Devemos construir novamente, e talvez em terreno mais firme e mais duradouro do que antes.”

Fachada da casa do Freud em Londres – Foto: Natalia

Para quem não pode conferir o museu em pessoa, pode curtir uma visita digital no site oficial e ainda pode se inscrever nos fascinantes cursos online que exploram tópicos, claro, da psicanálise. E se por acaso estiver em Londres e quiser organizar um evento, a casa de Freud, pasme, está disponível para aluguel temporário a empresas que querem realizar alguma festa ou conferência e até para recepções de casamento. Imagine essa!

*Foto capa: Sala do museu / divulgação

Quem escreveu

Natália Baffatto

Data

08 de June, 2021

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Natália Baffatto

Colocou os pés em Londres pela primeira vez aos 17 e sabia que não pararia por ali. Depois de inúmeras visitas, entregou-se de vez a esse casamento britânico, que já dura sete anos. Agora tem mais motivos para ser feliz porque ouve o Mind the Gap todos os dias e pode se lambuzar com as delícias de um cacio e pepe em Trastevere em apenas 2 horas, pois acredita que viajar é papo sério e comer bem, mais ainda, além de ter certeza que um cappuccino bem tirado pode transformar o dia.

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