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Tomorrowland e a nova era dos festivais

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

04 de August, 2020

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No penúltimo fim de semana aconteceu o Tomorrowland, o maior festival de música eletrônica do mundo. Ao invés de sua habitual edição em Boom, na Bélgica, ele aconteceu nessa coisa linda chamada internet. Eu não sou fã do estilo de música do festival, mas sua edição 2020 foi anunciada como “o festival que redesenharia o futuro dos festivais”, então não deu pra ignorá-lo.

Para alcançar esse objetivo, o Tomorrowland criou um mundo fantástico em 3D para abrigar seu festival. Foram 3 meses de trabalho, que levaria cerca de 2 anos para desenvolver o mesmo projeto, contando com uma equipe de 200 pessoas. No Tomorrowland nada é pequeno ou modesto. É tudo grandioso e espetacular, assim como foi essa edição. Foram dois dias de shows com 60 apresentações, contando com um line-up cheio de estrelas da música eletrônica com nomes como David Guetta, Steve Aoki, Tiësto, Charlotte de Witte, Amelie Lens, Vintage Culture e até a diva pop Katy Perry. Além dos shows, aconteceram também bate-papos com produtores, DJs, modelo, empreendedores, entre outros perfis. Um dos destaques foi o Will.i.am.

A ilha virtual contou com oito palcos, entre eles lounge, biblioteca, bar e áreas de ativações de marca. O convite era para o público criar seu ambiente festivo em casa e conectar o festival numa telona de TV. Para dar maior realismo ao evento, foi desenvolvida inclusive uma plateia com 280 mil pessoas, o que me deu um pouco de tensão ao ver tamanha aglomeração.

A movimentação entre os palcos era feita com setinhas do teclado e zoom, para então abrir a tela transmitindo o show que quiséssemos ver.

Porta de entrada para a ilha do Tomorrowland 2020
A porta de entrada da ilha do Tomorrowland
Ao clicar num palco do Tomorrowland, ele se aproximava com a chamada para você entrar
Ao clicar num palco, ele se aproximava com a chamada para você entrar
Vista do palco criado em realidade virtual para o festival Tomorrowland
E assim você estava no palco (essa multidão foi construída em 3D)
Imagem do show da Katy Perry durante o festival digital Tomorrowland 2020
A entrada da Katy Perry voando num balão

Foram construídos 4 estúdios (físicos) em 4 lugares diferentes no mundo, incluindo São Paulo, para os DJs tocarem e de onde transmitiram os shows vistos por mais de 1 milhão de pessoas dos quatro cantos do planeta. O mais barato custou 12,50 euros. Agora faça as contas. Foi sucesso ou foi sucesso? O pulo do gato veio pós-festival: foram colocados mais ingressos à venda, para aqueles que não estiveram lá poderem assistir. Quem já viu pode rever sem pagar nada.

Dimitri Vegas & Like Mike no Mainstage
Tomorrowland: Dimitri Vegas & Like Mike no Mainstage

Para quem gosta de números, o festival contou com seis câmeras ultra HD 4k e câmeras virtuais distribuídas por palco. Foram construídas 32.000 árvores e plantas virtuais para cada um dos palcos. O ambiente 3D contou com 10 vezes mais polígonos e luzes do que a média de jogos de computador, por isso a perfeição nas imagens. Tudo isso resultou em 300 TB de vídeos brutos.

Ele foi a revolução dos festivais? No meu ponto de vista ele apontou um caminho, mas não trouxe ainda a revolução. O Tomorrowland criou sua própria plataforma de game, mas não a transformou num game provavelmente por motivos estratégicos – talvez faltou tempo suficiente? Por que ele não aconteceu dentro de um game? Um dos motivos pode ter sido o fato de envolve direitos autorais num nível que poderia inviabilizar um festival desse porte acontecer.

Para mim, a revolução acontecerá quando for possível levar para os festivais virtuais o que nos faz viajar fisicamente até eles: a interação social e a movimentação (ir e vir). O universo dos games, além de possibilitar ambos, ainda tem o trunfo maior de criar experiências que só são possíveis neles, como voar por exemplo. Senão, eu apenas emulo a realidade ou entrego metade dela. Ou seja, o Tomorrowland foi grandioso, mas uma emulação fantástica e perfeita de suas edições físicas.

Para mim a revolução está mais próxima do que o Travis Scott fez no Fortnite do que o que o Tomorrowland fez na ilha mágica Pāpiliōnem. Mas juntando os dois, aí a revolução chegou.

Sobre o Travis Scott & Fortnite

Ao contrário do que muita gente acha, a turnê “Astronomical”, do Travis Scott no Fortnite, levou um ano para ser desenvolvida. Um ano! Mas o show mesmo durou menos que 10 minutos, porém nesses minutos o Fortnite “parou” para o show. Foi criada uma experiência única com movimentos e ações que só existiram nos minutos de duração do show. Do outro lado da tela, o próprio Travis Scott comandava seu show.

O merchandising, inspirado na turnê oficial, rolou solto e estima-se cerca de US$12,5 milhões arrecadados com vendas. Vale muito a pena ler esse artigo extenso da Billboard que tem uma entrevista com o próprio Travis Scott. Nela dá para entender exatamente todo o furor em torno desse show.

Os números são todos astronômicos assim com o nome da turnê: pico de 12,3 milhões de jogadores únicos logados ao mesmo tempo; 27,7 milhões de jogadores únicos participaram do show; 45,8 milhões de visualizações no total, pois alguns jogadores viram mais de um show; 73 milhões de visualizações no Youtube e 2,3 milhões usuários estimados no Twitch.

Agora ficamos aqui à espera de um novo momento espetacular como esse. Lembrando que os shows virtuais não surgiram para substituir os físicos, mas sim para proporcionar um novo tipo de entretenimento.

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

04 de August, 2020

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Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

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