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Roteiro Normandia: história, arquitetura e arte

Quem escreveu

Renato Salles

Data

15 de January, 2020

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O Roteiro Normandia traz alguns dos lugares mais interessantes da região noroeste da França, com um grande menu de atrações ligadas à arte, à arquitetura e, principalmente, à história francesa e mundial.

A França é um daqueles países que tem tantos lugares fascinantes para se visitar, que fica difícil escolher onde passar as férias. De cara, tem Paris, que por si só já absorve uma quantidade imensa dos turistas (não sem razão, claro). E ainda tem a Côte d’Azur, o Vale do Loire, a Provence…. a concorrência é imensa. Por isso, a Normandia acaba meio esquecida da maioria das pessoas. Mas se você considerar que ali aconteceram alguns dos mais importantes episódios da Segunda Guerra Mundial, que a região serviu de inspiração para alguns dos maiores pintores da história, e ainda a quantidade de pontos turísticos, talvez você comece a se interessar por um roteiro pela Normandia, não?

A história normanda

Situada em uma posição estratégica, bem na entrada no Canal da Mancha, a Normandia esteve no centro de importantes acontecimentos históricos, que acabaram por criar alguns dos lugares mais visitados da região. A área foi palco da disputa entre França e Inglaterra durante a Idade Média na Guerra dos Cem Anos, que teve entre suas consequências, o martírio de Joana D’Arc na fogueira em 1430, na cidade de Rouen. Hoje, Rouen é a capital da Normandia, e ali foi construída uma igreja em homenagem à figura lendária, que foi canonizada em 1920.

Chegando na Idade Moderna, a Normandia também teve papel primordial no Segunda Guerra Mundial, e portanto a região é obrigatória para aficionados no assunto. Isso porque foi ali que aconteceu o famoso Dia D, o dia em que as forças aliadas invadiram a França ocupada pelos nazistas, mudando o rumo do conflito contra os alemães. No mesmo dia 6 de junho de 1944, 5 praias viraram palco da sangrenta batalha com cerca de 15 mil soldados mortos: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword Beach. Hoje o que se encontra nessas praias são cenários bucólicos de mar azul e tranquilidade. Em todas as praias existem museus dedicados ao evento, mas Omaha é de longe a mais visitada, principalmente porque ali é onde fica o Cemitério Americano da Normandia, com 9388 túmulos enfileirados.

Omaha Beach, Segunda Guerra Mundial, Normandia, França
Cemitério Americano na Praia de Omaha – foto: Pxfuel.com

A arquitetura dos séculos

O lugar mais visitado da Normandia é, sem dúvida nenhuma, o belíssimo Mont Saint-Michel, no extremo mais ocidental da região. Não é por menos: a pequena ilha a 600m da costa poderia ser só mais um aglomerado de construções medievais encimadas pelas agulhas da abadia, mas é a natureza em volta que transforma o cenário em um espetáculo para cerca de 3 milhões de turistas todos os anos. Considerada uma das regiões com a maior variação de marés da Europa, chegando a 15m, o pequeno monte pode ser completamente cercado pela água em menos de 6 horas ao longo do dia. Claro que o lugar foi nomeado Patrimônio Mundial pela UNESCO, mesmo sendo a casa de apenas 50 pessoas.

Também preservadíssimo é o centro histórico de Rouen. Suas construções medievais preservam desde a arquitetura vernacular de estilo enxaimel até exuberantes exemplos da arquitetura gótica. É o caso da famosa Catedral de Notre-Dame de Rouen, que inspirou não um, mas 34 e quatro quadros pintados por Monet. O centro preserva também o desenho urbano original, o que quer dizer que você pode encontrar ruas tão estreitas como a Rue de Chanoines, com apenas 90cm de largura.

Catedral Notre-Dame de Rouen, Roteiro Normandia, França
Notre-Dame de Rouen – foto: Flickr – Franck. Minez

Com tantos sítios preservados em volta, Le Havre se destaca na paisagem da Normandia por sua arquitetura moderna do pós-guerra. A cidade abriga o segundo maior porto da França, localizado no estuário do Rio Sena, sendo assim um ponto muito estratégico. Tanto que durante as batalhas contra o exército nazista, as tropas inglesas optaram por bombardear o porto e a cidade para impedi-los de usar Le Havre como rota de fuga. A cidade devastada teve de ser reconstruída rapidamente, e foi com projeto do arquiteto Auguste Perret, e fazendo grande uso de tecnologias como o concreto pré-fabricado, que mais de 40 mil pessoas ganharam novas casas em apenas 20 anos. A cidade ainda conta com um auditório e uma biblioteca projetados por Oscar Niemeyer nos anos 80. A cidade não figura entre as favoritas em qualquer roteiro pela Normandia, mas deveria.

Berço da arte impressionista

No século 19, Paris já era uma metrópole superpopulosa. Quem quisesse fugir da loucura da cidade, tinha na Normandia um destino ideal. Distância pequena, extensas áreas de campos verdejantes, praias deslumbrantes. Por isso a Normandia serviu de inspiração para tantos artistas como Renoir, Gauguin, Pissarro, Seurat, Bonnard e até Picasso. Mas ninguém atraiu tanta atenção para a região como Claude Monet.

Seus quadros mais famosos retratam os jardins de sua casa em Giverny, que até hoje os mantém impecáveis e abertos à visitação. Já mencionei acima sobre os quadros que ele fez em Rouen, mas Monet também retratou as falésias brancas de Étretat, as praias de Fécamp, e ainda o porto de Le Havre. Foi um quadro desse, inclusive, que deu o nome ao movimento impressionista.

Jardins de Giverny, Claude Monet, Normandia, França
O jardim da casa de Monet em Giverny – foto: Flickr – Jean-Pierre Dalbéra

Claro que algumas das maiores coleções de arte impressionista estão em museus da Normandia. É o caso do Museu de Arte Moderna André Malraux em Le Havre, o Museu de Belas Arte de Rouen, e o Museu de Arte e História Baron Gerard em Bayeux.

Montando seu roteiro pela Normandia

Deu para perceber que o que não falta e coisa para fazer na Normandia. Fora todos esses lugares já mencionados, tem as maravilhas históricas e arquitetônicas de Caen, o charme encantador de Honfleur, o clima de veraneio de Deauville e Trouville-sur-Mer, e ainda a gastronomia…. Ah, a gastronomia! Pense em muito camembert, muitos frutos do mar, muita cidra!

Visitar a Normandia é muito fácil a partir de Paris, já que em cerca de uma hora de carro você já está lá. Também dá para ir de trem, ônibus, ou até descendo o Rio Sena de barco. A melhor época para ir é entre maio e setembro, já que a influência do mar faz chover muito por lá. Na primavera e no verão é mais fácil pegar bons dias de sol. O mais difícil é mesmo definir e organizar o trajeto, já que tem tanta coisa interessante.

Eu gostaria muito de poder conhecer tudo isso. Mas tive o privilégio de conhecer 3 cidades da região: Étretat, Le Havre e Deauville. Continuando essa série Roteiro Normandia, vou falar de cada cidade um um post exclusivo. Mas por enquanto, deixo aqui um vídeo para mostrar como foi a minha viagem, e quem sabe te inspirar para começar a organizar a tua.

Veja também:
O que fazer em Étretat
O que fazer em Deauville

*Agradecimento especial ao Le Havre Tourisme e à Agência EComunica pelo convite.

Foto do destaque: Pxfuel.com

Quem escreveu

Renato Salles

Data

15 de January, 2020

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.