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Fru.to: a revolução começa - e termina - pela boca

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

01 de February, 2019

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Esse fim de semana rolou a segunda edição do seminário Fru.to – Diálogos do Alimento. No ano passado, o evento aconteceu só em um dia, e esse, organizado pelo Instituto ATA do Atala, preencheu 3 dias com as mais relevantes das discussões atuais: o impacto do que comemos no ambiente.  Já falamos desde o ano passado que estamos em uma encruzilhada alimentar: precisamos produzir mais comida nos próximos 40 anos que nos últimos 8 milênios. São muitas bocas e um planeta só.

Foto: Divulgação Instagram Fru.to

Repetiu-se insistentemente o principal problema que vivemos: nosso sistema atual está exponencialmente matando os recursos naturais. E chegamos a um ponto que dificilmente conseguiremos retornar ao que já foi um dia. A agropecuária é a atividade humana com maior impacto sobre o globo.

O neurocirurgião e norte-americano Atom Sarkar, que já trabalhou junto com as equipes de restaurantes premiados para unir neurocirurgia com a experiência da gastronomia, abriu o ciclo de palestras do primeiro dia do seminário. Ele nos contou sobre a utilização da experiência gastronômica como uma base para acessar ajustes biológicos básicos fundamentais para a criação de memórias. Todas as palestras estão disponíveis no Youtube:

Se pudermos  resumir em 3 grandes lições, elas seriam: o modelo de produção atual de alimentos está esgotado, a diminuição do desperdício é imperativo para um novo sistema, e é preciso reconectar o homem à sua natureza.

Foto: Divulgação Instagram Fru.to

1. Modelo de produção esgotado

Marcos Pavarinno, à frente da Coordenação de Agroecologia e Produção Sustentável da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário da Casa Civil da Presidência da República, falou sobre a importância da formulação, implementação e acompanhamento de políticas públicas que incentivem a produção sustentável de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais. “Agricultura familiar responde por 84% dos estabelecimentos rurais, mas ocupa 24% da área total, indicando alta taxa de concentração fundiária”.  A base da sua discussão era: ‘como potencializar a sociobiodiversidade brasileira para além do extrativismo?’ É necessário uma agricultura familiar 2.0 – pensada no paradigma da agroecologia e produção sustentável.

Luiz Carraza, do @centraldocerrado, atua como secretário executivo da Cooperativa Central do Cerrado, que congrega diversas iniciativas comunitárias agroextrativistas do Cerrado. Ele falou sobre os desafios do trabalho que exerce há duas décadas com comunidades tradicionais e agricultores familiares no desenvolvimento, promoção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade brasileira como meio de promover a geração de renda e conservação ambiental.

A preservação da biodiversidade é um dos principais desafios – “A Amazônia é um centro de domesticação de plantas”, disse Eduardo Neves, “dos mais de 100 variedades de mandioca no alto Rio Negro; 56 variedades de batata-doce entre os Caiapós; 52 tipos de favas de canela…”

Nesse sentido, a pecuária pesa muito contra. 85% das áreas plantadas vão para os animais antes de irem para o homem – o animal entra na rota do consumo. Um país com uma dieta mais ambientalmente favorável utiliza 14x menos área que o Brasil.

2.Diminuição do Desperdício

Frutas disponíveis pela startup Fruta Feia

“Desperdício é falha da imaginação” – repetiu várias vezes Doug McMaster, o @mcmasterchef, que é um chef britânico, dono e fundador do premiado Silo, o primeiro restaurante no Reino Unido a trabalhar com o conceito de “desperdício zero”. Em sua palestra, ele abordou um pouco da sua experiência e mostra como é possível praticar atitudes mais sustentáveis. O case é maravilhoso.

Andoni Aduriz, por sua vez, comentou que não cabe mais essa nossa ideia de gosto/não gosto. Escolhemos demais e não preservamos a biodiversidade, quando o luxo da gastronomia deveria estar nas ideias, na forma de fazer, na qualidade dos ingredientes.

Foi o mesmo que reforçou Vinícius Lages: “72% da alimentação mundial é baseada em 12 espécies vegetais e 5 animais, e 60% da ingestão calórica está em 3 grãos – arroz, trigo e milho”.  Ainda complementa: “A simplificação das dietas afeta nosso organismo. Precisamos da ingestão de microorganismos para o bom funcionamento de nosso corpo – iogurtes naturais, kombuchas, kefir.”

3. Reconexão com o ciclo da natureza

Com uma mesa cheia de produtos que costumamos comprar no mercado, Soledad Barrutti, jornalista de gastronomia argentina, fez uma palestra bastante gráfica sobre a natureza não ser capitalista – ou, como a cultura alimentar pode nos tirar das armadilhas do mercado. Ela explicou que os ultra processados são uma armadilha que nos desconectaram com o que realmente está por trás do pacote – de conservantes a doses cavalares de açúcar.

Nesse sentido, Hélio Mattar deu algumas dicas que contribuem para essa reconexão:“Dê preferência aos alimentos locais e de época; planeje o cardápio e compre só o necessário; não vá às compras com fome; organize a despensa; congele os alimentos em pequenas porções; siga as recomendações de armazenamento; utilize integralmente os alimentos; reaproveite as sobras; use alimentos ‘fora dos padrões de beleza’; composte o resto dos alimentos”. Ele é idealizador e diretor-presidente do Instituto Akatu, e fala sobre consumo sustentável e consciente, da importância da informação para consumidor e da educação para a sustentabilidade.

Max Langer fechou com um excelente pensamento:  “O homem é parte da natureza e nada no homem é estranho à natureza.” Ele já publicou mais de 90 trabalhos completos em periódicos nas áreas de paleozoologia e paleontologia estratigráfica, trouxe seus estudos e sua visão sobre a interferência humana nas mudanças ambientais e falou sobre o equilíbrio natural do meio ambiente.

O Fru.to é um dos eventos que mais “walk the talk“, ou seja, que provam nas suas ações que estão falando “pra valer”. Toda a comunicação era feita em caixas recicláveis de papelão, os descartáveis (feitos à base de bagaço de cana e amido de milho dos copos) têm composição 100% biodegradável, elas podiam ir para o lixo orgânico junto com os restos de alimentos depois de usadas e, assim, voltarem para a terra como adubo orgânico.

No final do seminário, os convidados receberam saquinhos com o adubo gerado pela composteira da @elvicozinhas, com os resíduos orgânicos dos 3 dias de evento.

Tais diálogos não podiam ser mais apropriados. Saí confiante e determinada que a missão de todos na nossa geração deveria ser – realmente – salvar nosso planeta, que nós mesmos adoecemos.

 

Foto Destaque: Fruto

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

01 de February, 2019

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Amanda Foschini

Jornalista paulistana hiperativa que às vezes puxa o R lá do interior. Viciada em música, açúcar, livros e praia. É mais feliz no verão, acredita nos reviews do Foursquare e sempre dorme no meio filme. Há 5 anos, vive um caso de amor (correspondido) com Barcelona.

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