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Tarsila do Amaral ganha retrospectiva no MoMA, em NY

Quem escreveu

Renato Salles

Data

20 de February, 2018

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No futebol nós temos Pelé. Na arquitetura nós temos Niemeyer. Se tem um artista que merece o trono da arte brasileira, e o carinho de ser chamado só por um nome, essa pessoa só pode ser Tarsila. É muito provável que a maioria das pessoas que você conhece não consigam nomear um único quadro famoso além do Abaporu. A pintura completa esse ano 90 anos de existência, e continua sendo a mais forte representação da cultura brasileira para nós. E nesse ano de comemoração, a obra da artista paulista chega ao mais importante museu de arte moderna do mundo. Foi inaugurada no último dia 13 a exposição “Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil” no MoMA, em Nova York.

Tarsila no MoMA, exposição
Exposição ‘Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil’ – foto: MoMA

A retrospectiva é a maior e mais completa já montada fora do Brasil, e a primeira nos Estados Unidos. Nova York parece ter abertos os olhos para a arte brasileira recentemente, com exposições dedicadas a alguns dos maiores artistas nacionais: Lygia Clark, Lygia Pape, e recentemente Helio Oiticica no Whitney. A chegada da Tarsila no MoMA traz a força do movimento antropofágico, que abriu os caminhos da arte moderna por aqui, e que pavimentou o caminho para os outros 3 pudessem criar décadas depois.

Tarsila do Amaral veio de uma família de fazendeiros do interior de São Paulo, e largou os estudos nas escolas de arte paulistas por considerá-las muito tradicionais. Em 1920, ela desembarcou em Paris, onde aprenderia de mestres como Fernand Léger e entraria em contato com o epicentro do modernismo no mundo. Em suas próprias palavras, a experiência deixou Tarsila ‘contaminada de ideias revolucionárias’,  que a fariam canibalizar seu aprendizado em serviço de uma nova arte brasileira. A vida no campo, a mistura de raças, a fauna e o folclore, sua obra se debruça sobre a brasilidade com intensidade. Ela digere as influências das vanguardas estrangeiras e expele uma arte originalmente nacional. Tarsila foi uma das precursoras da antropofagia brasileira junto com Mario e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Victor Brecheret e tantos outros, que juntos fizeram a transformadora Semana de Arte Moderna em 1922.

A exposição do MoMA traz os quadros mais importantes da obra da Tarsila, desde ‘A Negra’ – uma de suas primeiras pinturas em Paris – passando por ‘A Cuca’, até o emblemático ‘Operários’, que ela mesma considerava sua mais importante. E, sim, o Abaporu saiu do Malba, em Buenos Aires, para a grande festa. Uma pena que a gente não consiga trazer a retrospectiva toda para cá. Então quem tiver com passagem marcada por Nova York não pode perder essa chance única. A exposição abre com a frase dita pela Tarsila em 1923, ainda em Paris: “Quero ser a pintora do meu país”. A se considerar pelo legado que deixou – e pelos letreiros lindos em plena Times Square – ela cumpriu sua promessa.

Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil
Museum of Modern Art – 11 West 53rd St. – Nova York
De sábado a quinta, das 10h30 às 17h30. Sexta, das 10h30 às 20h
Até 3 de junho

Quem escreveu

Renato Salles

Data

20 de February, 2018

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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Comentários

  • Que alegria, eu sendo Pintora e Brasileira, ver a Arte Bradileira exposta no Moma! Chegarei lá....
    - Nadirà
  • Sensacional
    - valkiria

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Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.