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Os dilemas da Bienal de Arte de São Paulo

Quem escreveu

Victor Gouvea

Data

01 de August, 2018

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A 33ª Bienal de Arte de São Paulo já está na esquina. A abertura oficial acontece no dia 7 de setembro, mas um evento dessa magnitude já está todo definido a esta altura. Para aquecer, podemos adiantar algumas questões curatoriais interessantes que foram perseguidas pelo espanhol Gabriel Pérez-Barreiro e sua equipe, apresentadas ao público no último dia 24. Essa edição marca uma mudança de paradigma relevante, reafirmando a vocação experimental da Bienal de São Paulo, que conto mais para baixo.

Bienal de Arte de São Paulo

Antes vale um contexto. A edição paulistana, saiba você, é uma das mais importantes do mundo. Só não é mais antiga que a de Veneza, musa inspiradora da edição tupiniquim (ela acontece desde 1951, e a veneziana desde 1895). Antigamente ela seguia os moldes da versão italiana, com representações nacionais. Para quem nunca se aventurou na Bienal de Arte de Veneza, cada país expõe em um pavilhão concebido por ele próprio. Seguimos o mesmo padrão por um tempo, convidando comissários locais a enviar arte de seu país para serem exibidas aqui.

Mas depois que a organização ficou a cargo da Fundação Bienal, a partir de 1962, baixou um encosto da inovação: cada vez se testaria algo novo na concepção do evento. Nesse sentido, a Bienal de São Paulo deixou a de Veneza no chinelo. Enquanto eles seguem a mesma cartilha até hoje, nós já fizemos o diabo para repensar a forma da arte encontrar com o público.

A 16ª foi a primeira a ter um curador-geral, o professor da USP, Walter Zanini. A 18ª, sob o comando de Sheila Leirner, introduziu o hábito de dar um título que resumisse a mostra. A partir da 24ª, Paulo Herkenhoff instituiu a ideia de um conceito norteador que amarre as obras exibidas. E, na 27ª, sob o tema “Como viver junto”, Lisette Lagnado rompe de vez com o esquema de representantes de cada país. Simbolicamente, ela dava um basta às divisões territoriais que separam o mundo e as pessoas. Pelo menos para a arte da Bienal, nós deveríamos ser uma coisa só.

Muito que bem. Agora vem a 33ª com o título “Afinidades afetivas”, que o curador já afirmou em entrevistas não se tratar de um tema, mas apenas de um título. E vira do avesso outra vez: convidou sete artistas para criarem projetos curatoriais independentes. Isso significa que teremos muitas mostras dentro de uma grande mostra. É a primeira vez que se privilegia o olhar do artista na montagem da exposição. Vai ser incrível ou uma grande salada? A partir de setembro conseguiremos responder.

Além disso, Pérez-Barreiro programou uma espécie de manifesto sobre a atenção. Sim, vivemos conectados, o tempo médio de atenção despenca a cada ano, e o curador queria mudar o jogo. Entendeu que em Bienais de arte o público sofre da famosa FOMO (Fear Of Missing Out, que pode ser traduzida como um medo de perder algo). São muitas obras, muitos artistas, e não se dedica mais do que alguns segundos a cada trabalho.

Para tentar reverter, criou “espaços de desatenção” que sirvam a um propósito quase meditativo de esvaziar a mente. E diminuíram o número de trabalhos apresentados em relação a edições anteriores. Com isso, esperam que os visitantes dediquem mais tempo a cada obra. Bateu aquela ansiedade para ver tudo pronto?

*Foto destaque: Vista da instalação da exposição “Song”, de Alejandro Cesarco. Cortesia Alejandro Cesarco e Tanya Leighton Gallery

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Victor Gouvea

Data

01 de August, 2018

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