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Évora, a porta de entrada do Alentejo

Quem escreveu

Pedro Ivo Dantas

Data

26 de February, 2018

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Pertinho de Lisboa, a uma hora e meia de trem, ônibus ou carro, fica a encantadora Évora, capital não-oficial do Alentejo e porta de entrada pra um Portugal mais antigo e rural.

O perfeitamente preservado centro histórico de Évora, delimitado pelas muralhas, mereceu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO. A maioria dos pontos de interesse ficam ali, bem próximos uns dos outros e facilmente percorridos a pé (diferentemente de Lisboa e Porto, a cidade é quase plana, com apenas um leve aclive no seu centro). Mas parte da graça é se perder em suas ruelas de paralelepípedos e curtir os detalhes da arquitetura local, com suas casas caiadas de branco com detalhes amarelos.

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Foto Lacobrigo (Wikimedia Commons)

O centro histórico

No centro de tudo fica a pitoresca Praça do Giraldo, que tem esse nome em homenagem a um Geraldo histórico, que recuperou a cidade dos mouros para a coroa portuguesa. A praça é ladeada pela Igreja de Santo Antão e pela agência local do Banco de Portugal no canto oposto, e em seu centro fica um belo chafariz. Nos dias de verão, a praça fica cheia de pessoas praticando aquele passatempo preferido dos europeus: ver a vida passar enquanto se toma um cafezinho. Também são costumeiras as apresentações culturais na praça, especialmente nos meses mais quentes.

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Praça do Giraldo. Foto de Paolo Querci (Wikimedia Commons).

A principal atração histórica de Évora é sem dúvida o imponente Templo Romano, que se ergue sem muita pretensão em meio a um largo. Também conhecido como Templo de Diana, a construção é rodeada pela Sé de Évora, pela Biblioteca Municipal e pelo Museu de Évora que, ainda que não imperdível, vale uma visita se você estiver com um pouquinho mais de tempo. Infelizmente, no momento, o templo está fechado pra reparos, e não há previsão pra sua reabertura ao público.

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Colunas do Templo Romano de Évora. Foto de CarlosRMSSilva (Wikimedia Commons).

A outra grande atração do centro histórico é a Capela de Ossos, que fica dentro da Igreja de São Francisco. Como o nome indica, a capela tem as paredes forradas de crânios e outras partes de esqueletos humanos, querendo significar a transitoriedade da vida humana. Na entrada, os visitantes são recebidos com macabra saudação: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

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Capela dos Ossos. Foto de Concierge.2C (Wikimedia Commons).

Universidade de Évora é a segunda mais antiga de Portugal, tendo sido fundada em 1559, apenas 22 anos depois da de Coimbra. Ainda que a cidade de Évora não gire em torno da vida universitária como Coimbra, a presença dos estudantes garante uma vitalidade que as vezes faz falta a outras localidades portuguesas. O Colégio do Espírito Santo, sede original da Universidade, pode ser visitado para se apreciar os lindos murais de azulejos que adornam as salas de aula.

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Pátio do Colégio do Espírito Santo (Universidade de Évora). Foto de Concierge.2C (Wikimedia Commons)

Ao redor de Évora

Évora pode ser resolvida com um bate-volta a partir de Lisboa, mas a melhor maneira de aproveitar a cidade é reservando pela menos uma noite pra passar por lá. Primeiro porque assim se pode curtir o centro histórico a noite, quando fica ainda mais charmoso. Além disso, dessa maneira se pode aproveitar algumas das atrações que ficam ao redor da cidade. Para tanto o melhor é estar de posse de um veículo próprio. Mas caso prefira não dirigir, transporte pode ser arranjado no Posto de Turismo municipal, que fica na Praça do Giraldo. O posto também pode dar maiores informações sobre vinícolas e outras atrações.

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Cromeleque dos Almendres. Foto de Nekka (Wikimedia Commons).

Aliás, provando o porquê de Évora ser o único município português a fazer parte da Rede de Cidades Européias mais antigas, com uma ocupação humana da área que remete à Pré-História, um passeio possível pelos arredores é uma visita ao Cromeleque dos Almendresuma coleção de menires (obeliscos de pedra) chamado com algum exagero pelos locais de “Stonehenge português”, embora seja efetivamente mais antigo que o sítio britânico: estima-se que o Cromeleque tenha sido construído há 7 milênios, enquanto Stonehenge a “apenas” 5. O problema é chegar até lá: boa parte das pedras está em terreno privado, de difícil acesso. Se informe no Posto de Turismo sobre como proceder.

Das vinícolas da área, a maior e mais visitada é a CartuxaAs visitas incluem provas de vinho e azeite, e ocorrem o ano inteiro, todos os dias da semana, mas sempre reserve antes pra não se decepcionar (essa regra vale pra todas as vinícolas de Portugal). A Cartuxa também mantém um restaurante no centro de Évora que é bem recomendado.

Comes & bebes

Existem outras vinícolas menores ao redor da cidade que só valem a pena visitar se você tiver mais tempo e não for visitar outros pontos do Alentejo. Uma parada que vale a pena antes de programar sua enoviagem é o Vinhos do Alentejo, uma espécie de centro de enoturismo dentro de Évora. Lá você pode receber mais informações sobre as vinícolas da região e eles sempre tem uma seleção de vinhos alentejanos para prova. Melhor ainda, é tudo grátis.

Carne de porco a alentejana com amêijoas. Foto de Rui Ornelas (Wikimedia Commons)

A região tem ainda várias herdades (fazendas) que produzem azeite. No centro de Évora, bem próximo à Praça do Giraldo, fica a loja especializada Tou c’os Azeites, que oferece diariamente algumas variedades do óleo pra prova e onde você pode se informar caso deseje visitar algum cultivar de oliveiras – além, é claro, de garantir algumas garrafas de azeite especiais pra trazer pra casa.

Como saco vazio não pára em pé, antes de sair caçando vinhos por aí é bom forrar o estômago. O centro histórico tem uma boa seleção de restaurantes pequenos e baratos, ainda que a maioria não seja exatamente memorável. A gastronomia típica alentejana é rústica e baseada em carne suína e pão. O porco a alentejana é uma fantástica mistura de suíno com amêijoas, os pequenes e deliciosos moluscos portugueses. Açorda é uma espécie de sopa engrossada com pão, servida normalmente com bacalhau ou peixe fresco, e migas também tem como base pedaços de pão amanhecido, que são fritos até ficarem bem dourados e servidos com carne de porco.

Migas alentejanas. Foto de Ricardo (Wikimedia Commons)

Outros pratos típicos incluem sopa de cação e de tomates (batatas cozidas num caldo ralo de tomate, servidas com choriço fatiado e ovo escalfado) e ensopado de borrego (carneiro), servido com pão e batatas. Entradas podem incluir pés ou orelhas de porco a coentrada, ou seja, com um molho a base de coentros. Aliás, pra quem é #teamcoentro, os alentejanos, como os portugueses em geral, adoram a erva e a usam sem nenhuma parcimônia.

Se quiser simplesmente tomar uma taça e petiscar algo, a Rua Alcárcova de Cima, juntinho da Praça do Giraldo, tem uma série de barzinhos simpáticos com mesas na rua pra ver a vida passar. Ali perto também fica a Fábrica de Pastéis – e o pastel de feijão com amêndoas é de deixar qualquer pastel de Belém morrendo de inveja.

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Restaurante Fialho, um clássico alentejano. Foto: divulgação.

Na hora que a fome bater mesmo, temos duas recomendações. Se quiser um lugar na melhor tradição bom-e-barato (ainda que não muito bonito) se encaminhe pro Porta A’Aviz, que fica a uns 15 minutos da Praça do Giraldo. Você vai saber que está chegando quando o aroma de carne na brasa tomar o ambiente. Não tenha dúvidas e peça o franguinho grelhado com fritas, dos melhores que já comi, ainda mais acompanhado do molho de pimenta (piri-piri) da casa e de uma bela taça de vinho branco. Uma refeição aqui, com uma entradinha, prato principal e bebida, dificilmente vai sair por mais de 7€, e você ainda pode apreciar o movimento dos locais, especialmente em dias de jogo de futebol.

Agora, se estiver a fim de gastar um pouco mais (mas mesmo assim muito menos do que gastaria num restaurante similar no Brasil) então não tenha dúvidas e siga pro Fialho . Um clássico alentejano que está na mesma família há três gerações, já foi chamado de o melhor restaurante de Portugal, e inclui entre seus fãs o ex-presidente Fernando Henrique Cardosos e diversos outros notáveis. Não deixe de experimentar as sobremesas!

*Foto destaque: Catedral Sé, Évora por Ivo Anastácio.

Quem escreveu

Pedro Ivo Dantas

Data

26 de February, 2018

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Pedro Ivo Dantas

Paraense radicado em Lisboa. Engenheiro, cozinheiro e cervejeiro, sem ordem específica de preferência. Viajante de vocação.

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Comentários

  • Recomendo o Botequim da Mouraria, em Évora. Fica meio escondido na Rua da Mouraria e abriga pouquíssimos clientes, só no balcão, mas foi a melhor refeição e o melhor atendimento que tive em Portugal.
    - Rodrigo
    • Boa Rodrigo, vou procurar o botequim na próxima visita.
      - Pedro Ivo Dantas

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