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Elza Soares não vive no passado e para ela o futuro não chegou

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

14 de August, 2018

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O Chicken or Pasta entrevista Elza Soares: seria comum começarmos esse post relembrando a biografia sofrida de Elza. Mas pra isso você tem o wikipedia –  e se gostasse de uma leitura comum, não leria o Chicken or Pasta.

Mas principalmente, não começamos esse post com sua biografia, porque Elza não vive no passado e o futuro não chegou. Elza vive o presente. Canta, grita, luta e vive o presente. Ver essa potência feminina em ação é um presente para nós também. Os cariocas terão essa oportunidade no dia 28 de agosto, quando se apresenta ao vivo no Oi Casagrande com seu novo show “Elza-Deus é Mulher”, homônimo ao disco.

Elza Soares respondeu algumas perguntas ao Chicken or Pasta. Clica no play e vem com a gente:

Você gravou recentemente uma versão de “O tempo não para”, cuja letra diz “Eu vejo o futuro repetir o passado”… aos 81 anos de idade, o que você viu melhorar no Brasil desde que começou sua carreira e o que não mudou nesse tempo?

Deixe eu te contar uma coisa: Tudo passa, nada é constante, tudo está em movimento todo o tempo. Eu gravei esta música que já faz parte do repertório do meu outro show, “A voz e a Máquina”, porque acho Cazuza um profeta, além de ter sido um grande amigo meu, era uma admiração mútua… Esta música reflete o que estamos vivendo hoje, parece que foi escrita hoje!

Algumas coisas melhoraram e outras pioraram, se eu falar cada uma delas, não terminarei hoje esta entrevista. Temos que achar o equilíbrio e está difícil!

Você era moderna e contestadora em uma época bastante conservadora. Acha que é mais fácil ser mulher hoje?

Nunca foi fácil ser mulher, nem antes e nem agora, já conquistamos bastante espaço, mas estamos longe de virar o jogo… Temos que lutar muito ainda… Eu não escondo nada, não me preocupo em agradar ninguém, o que me incomoda falo! Grito! Sempre fui assim, não desde hoje que eu grito a favor da mulher, dos gays e luto contra o preconceito. Comigo não tem perhaps, meu bem. Doa a quem doer, eu sou assim, eu sou Elza Soares que vive aquilo que acredita!

Você é carioca, já morou na Itália e viaja bastante. Se identifica com o Rio? Como vê a cidade hoje? O que ganhamos ou perdemos desde que você cantou na abertura dos Jogos Olímpicos de 2016?

Sou brasileira e carioca com muito orgulho e amo esse país, quando fui expulsa do meu país, da minha casa que foi metralhada nos anos 70, eu sofri muito, não deixei o Brasil porque era uma decisão minha, mas porque não me queriam aqui. Hoje eu viajo para trabalhar, divulgar meu trabalho graças a Deus, vou e volto quando eu quero, tenho o direito de ir e vir. Moro em Copacabana, amo ver as pessoas passeando pelo calçadão, fico admirando o mar e a vida agitada deste bairro na minha janela, isso é vida para mim, mas também fico triste porque minha cidade está abandonada, suja, violenta, muita gente dormindo nas ruas… Eu queria um Rio mais feliz, mas roubaram tudo, até a nossa felicidade… Ganhamos tão pouco e perdemos muito.

Seu novo algum “Deus é mulher”, fala de política, religião, sexo, feminismo… acha importante os artistas se posicionarem politicamente? Se “O meu país é meu lugar de fala”, o momento do Brasil pede isso? Como um artista pode contribuir para mudar a realidade?

Não sei dos meus colegas, eu sei falar por mim, cada um administra sua arte como quer, ainda, veja bem, ainda vivemos numa democracia com direito de expressão, ainda, compreendeu bem? Como já disse, acho que o artista tem que refletir seu tempo, colocar a sua arte a serviço da sua sociedade e do mundo, mas isso é o que penso e não julgo ninguém por pensar diferente de mim… No dia 28 de agosto eu estreio no Rio de Janeiro, no Teatro Oi Casagrande, meu novo show “Deus é Mulher”, quando estreei em SP este show foi uma comoção, uma catarse, os ingressos dos quatro dias esgotaram em duas horas, uma loucura! Acho que o público tem um grito preso na garganta e eu me proponho a lutar e a gritar com meu povo, vá no teatro dia 28 e confiram, é muito forte, cara!

Aos 81 anos, seu público não para de se renovar e muita gente na casa dos 20 anos frequenta seus shows. O que você vê em você, na sua música, no seu álbum novo, que dialoga com essa nova geração?

81? Não sabia…  Tem dias que nem nasci ainda… Eu sou o meu estado de espírito.

Cara, eu tenho hoje um público tão variado que eu me assusto com crianças chorando para falar comigo no camarim, fico perplexa! Não consigo entender… Fico pensando, como uma criança pode entender o que eu estou cantando, mas acho que nem elas sabem… Mas sentem… nos comunicamos com algo que nem eu nem elas sabem… Dou atenção para todo mundo, já vi em meus shows uma família de três gerações curtindo Elzinha aqui, fico feliz! Eu não paro para ficar me analisando, eu vou vivendo, não tenho tempo para parar, aliás DEUS É MULHER e O TEMPO NÃO PARA!

Há muitas críticas à gestão Crivella porque o prefeito permite que sua religião se misture à sua administração. Nesse contexto, você pode falar um pouco sobre a letra de “Exu nas Escolas”?

Minhas respostas estão em duas músicas do meu novo álbum “Deus é Mulher”. Por gentileza, escutem CREDO e EXU NAS ESCOLAS!

Tem alguma dica do que curte ou recomenda fazer no Rio?

Eu curto mesmo é a minha casa na serra de Teresópolis. Amo descansar aqui, é onde reponho minhas energias.

Serviço:
Lançamento espetáculo “Elza, Deus é Mulher”
Teatro Oi Casa Grande – Leblon – RJ
28/08/18, às 20h – sessão única
Ingressos de R$ 30 a R$ 150 na bilheteria do teatro ou aqui

*Foto destaque: Elza Soares por Stéphane Munnier / Divulgação

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

14 de August, 2018

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Luciana Guilliod

Carioca da Zona Norte, hoje mora na Zona Sul. Já foi da noite, da balada e da vida urbana. Hoje é do dia, da tranquilidade e da natureza. Prefere o slow travel, andar a pé, mala de mão e aluguel de apartamento. Se a comida do destino for boa, já vale a passagem.

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Comentários

  • Luciana Guilliod ,parabéns.
    - Regina Vilma

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