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Coworking Camp: levando o escritório para a roça

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

12 de December, 2017

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Ensaiamos ir na segunda edição do Coworking Camp, mas a pressa, mil afazeres e São Paulo nos engoliram e por aqui ficamos. O Bruno Paschoal, um dos idealizadores do projeto e o nome por trás da Fazenda Santa Esther, me chamou de cantinho no Facebook, se apresentou e me fez o convite para participar da terceira edição, que aconteceu na semana passada. A correria para fechar todas as pendências antes mesmo do ano acabar quase me fez não ir. Mas na última quinta-feira, eu e mais três amigos pegamos a estrada às 8h da manhã para ir ver de perto como é a experiência.

Juliana, Bruno, Barbara e Caio. Foto: divulgação

O Bruno saiu de Campinas, foi fazer mestrado em políticas públicas em Berlim, e na volta não achou tanto sentido em retornar para a cidade. Decidiu e ocupou a fazenda da família. A ideia não era apenas morar nela, mas transformá-la numa plataforma criativa. Foi assim que nasceu o Coworking Camp, que cumpre bem o que promete: explorar novas relações entre o urbano e o rural, promover trocas, fazer a gente repensar os ambientes ultrapassados de trabalho e trocar experiências.

A área do bar externo da Fazenda Santa Esther. Foto: Lalai Persson

Já a Fazenda Santa Esther é uma antiga fazenda de café do século XIX, que foi resignificada para se tornar um espaço maker experimental. Por lá, eles produzem a própria comida e criam animais. Mas o foco não é a produção agrícola e sim o cultivo de criatividade, inovação e sustentabilidade.

A área interna de coworking. Foto: Lalai Persson
A cozinha de onde não parava de sair delícias. Foto: Lalai Persson
A capela. Foto: Lalai Persson

A fazenda conta com alguns edifícios históricos, como um casarão colonial principal. Nele funcionam uma área de coworking com vista para o jardim, um grande salão para relaxar e uma cozinha – que fica a todo vapor o dia todo – além do dormitório para acolher os participantes. Tem piscina e tem uma linda capela, onde são promovidos encontros, festas e shows. Também tem uma área externa com bar, redes e duas mesas para quem preferir trabalhar a céu aberto, muito gramado e árvores permitindo cantinhos totalmente conectados com a natureza, porém onde o wi-fi também chega.

O dormitório principal. Foto: Lalai Persson

Um ponto importante para quem vai para lá só para mudar de ambiente, mas com muito trabalho para fazer, é que o wi-fi não deixa ninguém na mão. Já o 3G raramente dá as caras (o que é um alívio de certa forma). O resultado é inspiração e disposição. A natureza em volta encanta, os pássaros cantando e o barulho do mato acalmam, o tempo passa a ser outro. A pressa deixa de existir. A gente relaxa e fica bem.

Além disso, a comida é ótima, contando com um cardápio criativo vegetariano criado especialmente para o evento. A fazenda é linda e super bem cuidada, a piscina é convidativa, as pessoas que trabalham lá são tão interessantes quanto os participantes do programa.

A minha cara de felicidade de trabalhar no mato. Foto: Gabriel Dietrich

O grupo participante desta edição do Coworking Camp era bem diversificado, com pessoas das mais diversas áreas, o que fez a gente sair da nossa bolha e criar conexões diferentes das que estamos acostumados. A agenda contou diariamente com duas programações com workshops, oficinas, palestras, etc… à noite é a vez de juntar todo mundo, tomar bons drinks enquanto assiste a um show, seja de música, de dança ou até mesmo um filme. Claro, nada é obrigatório, participa quem quer. Cada edição tem um tema. Ciclos foi o escolhido da vez, oferecendo uma programação bem diferentona.

A cantora Bruna Lucchesi experimentando novos instrumentos. Foto: Lalai Persson
O resultado da minha roda da vida. Foto: Lalai Gabriel Dietrich

Quem cuida da curadoria e concepção do evento é a onda, organização que nasceu em Berlim, encabeçada pelo quarteto fantástico Bruno, Caio, Juliana e a Bárbara. Nesta última edição, não faltaram encontros inspiradores, alguns deles focando em entrar com o pé direito em 2018. Foi o caso do workshop “Olhar fértil por um novo ano”, com a Gabrielle Picholari, que há oito anos estuda e pesquisa medicina integrativas e processos de autotransformação ao redor do mundo. O foco foi na auto-compaixão. O encontro foi uma delícia, trazendo várias reflexões, boas conversas, relaxamento e descobertas inesperadas.

Eu fazendo “performance” na capela durante o início da festa que rolou na quinta. Foto: Alexandre Nino

Teve também encontro com o diretor Heitor Dhalia, apresentando seu novo filme “Yoga: arquitetura da paz“; Lydia Caldana, que foi uma das curadoras desta edição, conversou sobre pesquisa e tendências; aula de yoga; workshops de compostagem e fermentação; shows e performances.

Hora da pipoca com a Barbara. Foto: Lalai Persson

O resultado é se inspirar além da área em que atuamos. Essa é a maior troca do evento, que dura cinco dias. Eu passei apenas um dia e uma noite. Aproveitei para relaxar um pouco e acabei largando o computador, ao contrário da maioria que trabalhou freneticamente entre uma programação e outra. Mas esse é o objetivo, trabalhar, se inspirar, trocar, aprender. Tudo isso em meio à natureza é a grande cereja do bolo. É possível levar o cachorro e até as crianças, o que são pontos extras.

Nosso mascote. Foto: Lalai Persson

Lendo hoje a entrevista da Amber Case, no El País, essa rápida fuga fez todo sentido de existir: “A natureza é a melhor designer, temos de voltar a nos inspirar nela para viver”. É sabido que cada vez mais as pessoas necessitam de retiros e hoje eles estão em todos os lugares, cada um com uma missão. O Coworking Camp não deixa de ser um, mas num formato nada óbvio transformando-se numa farm office que dá vontade de morar.

A próxima edição será um pouco maior, acontecendo de domingo a domingo, de 4 a 11 de março 2018. O tema será “Conexões”. Vale a pena ficar de olho na fanpage. Eu sei que quero voltar.

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

12 de December, 2017

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Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.